Reserva de Emergência: o que preciso saber?

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Deixa eu te contar uma história que vai te fazer entender rápido o que é uma Reserva de Emergência.

Um dia desses cheguei na casa de Dona Cora, no auge de seus 80 anos, que logo me conta que seu médico passou remédios extras. Ela vai até seu quarto e pega um dinheiro no fundo falso de seu colchão.

-Dona Cora, por que a senhora tem dinheiro no colchão? A gente não abriu uma conta para a senhora no banco?

-Minha filha, esse dinheirinho aqui é para emergência.

Fiquei pensando: Não tem jeito melhor de exemplificar o que é essa tal reserva.

O que é essa tal de Reserva de Emergência?

Se você não é ligada(o) em analogias, serei mais direta.

A Reserva de Emergência, também chamada de Colchão de Segurança ou Reserva Estratégica, tem duas funções:

1) Imprevistos

Já pensou se você se acidenta ou tem alguma enfermidade que seu plano não cobre?

E se você fica um período sem trabalhar ou até mesmo acontece algo em sua residência e acaba precisando de uma manutenção inesperada?

2) Oportunidades

Imagine que você esteja programando uma viagem e tem a possibilidade de conseguir um desconto de 15% no hotel, se reservar com alguns meses de antecedência. Uma boa oportunidade, não é mesmo?

Seu Colchão de Segurança pode te ajudar a aproveitar a chance, daí seu compromisso será repor o dinheiro nos próximos meses.

Se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia… Mas eu não tenho vergonha, então, vou dar esse aqui:

“Imprevistos não esperam.”

Não deixe para amanhã, para o mês que vem ou para depois daquele projeto. Imprevistos não esperam. A menos que haja dívidas (um assunto par outro texto), a Reserva de Emergência precisa ser a prioridade número um dentro de um planejamento financeiro. Ela é seu alicerce.

Qual deve ser o tamanho da Reserva de Emergência?

Isso pode variar muito. Se estivermos falando de um funcionário público, como a estabilidade do emprego é maior, podemos trabalhar com três ou quatro meses de contas pagas. Porém, profissionais liberais ou autônomos podem precisar de uma reserva maior, algo entre 8 e 12 meses. Afinal, não contam com FGTS, aviso prévio, nenhum dos benefícios da CLT.

Para nos aproximarmos do valor que seria ideal para você, multipliquemos suas despesas médias mensais por 6, ou seja, se você tem um gasto médio mensal de R$6.000,00, estamos falando de uma reserva de emergência de R$36.000,00.

Onde não investir

Com estudo e prática você irá perceber que cada produto tem uma especificidade e objetivo diferente. O que eu vejo é que muita gente quer queimar etapa ou se confunde. Tenha sempre muito claro qual é o objetivo daquele investimento. No caso do Colchão de Segurança, seu objetivo é manter um dinheiro seguro, com alta liquidez (sempre busque resgate para o mesmo dia ou dia seguinte) e sem desvalorização. Por isso, opte sempre por investimentos que rendam 100% do CDI ou mais.

Veja que aqui já descartamos a poupança porque hoje ela não rende nem 100% do CDI. Assim como descartamos ações, fundos imobiliários e títulos de rentabilidade de longo prazo porque podem sofrer alta volatilidade e, em muitos casos, uma baixa liquidez.

Duas coisas importantes

Eu comentei acima sobre volatilidade, que nada mais é do que a variação que o preço daquele ativo pode sofrer, e sobre liquidez, que tem a ver com a velocidade que é possível transformar esse ativo em dinheiro (quanto mais rápido for possível, maior é a liquidez daquele investimento).

Onde investir

Dito tudo isso e lembrando que você precisa combinar liquidez, segurança e rentabilidade, posso dizer que bons exemplos de opções são: Tesouro Selic, Fundos DI e CDB com alta liquidez.

De maneira geral, você terá um retorno pouco expressivo. Porém, retorno não é seu principal objetivo neste momento. Aqui você está construindo seu alicerce, protegendo-se.